/apidata/imgcache/5141ccebb56957c056516a11069813ef.jpeg?banner=top&when=1770807364&who=6

Hospital São José está sem telefonia há mais de 10 horas

Comunicação por ramais entre setores ficou totalmente fora por mais de cinco horas, tendo que ser realizada por telefones e WhatsApp dos funcionários. Contrato de mais de R$ 3 milhões com empresa responsável pelo serviço não contempla PABX de contingência.

Atualizado em 27/01/2026 às 21:01, por Fagner Ramos.

Foto: Prefeitura de Joinville

O Hospital Municipal São José de Joinville encontra-se há mais de 10 horas sem o funcionamento de sua telefonia. Os ramais internos entre os setores ficaram das 11h até as 16h10 totalmente inoperantes e, até o momento, o sistema funciona apenas em alguns locais, causando transtornos entre enfermeiros, médicos e demais funcionários.

Fontes que não quiseram se identificar relataram à reportagem do Chuville que o contato entre enfermarias e setores de emergência está sendo impactado, pois uma informação ou um pedido médico, que antes poderia ser feito de forma rápida por meio de uma ligação, torna-se moroso, já que precisa ser enviado por mensagem em grupos de WhatsApp e aguardar resposta, o que, dependendo do caso e da gravidade, pode causar problemas irreversíveis.

/apidata/imgcache/5b8b731015dd2ab2ac3d5021bbd027b5.png?banner=postmiddle&when=1770807364&who=6

Em contato com a prefeitura, foi informado que, de fato, foi detectado um problema no sistema de telefonia PABX. A prestadora de serviço foi acionada para verificação. No entanto, segundo a administração, a falta de ramais telefônicos não impede o funcionamento da unidade, pois os funcionários podem realizar ligações por celulares corporativos, ou pelo serviço de chat do Google.

/apidata/imgcache/d85c9811ff4529c3ccdef940b0358965.jpeg?banner=postmiddle&when=1770807364&who=6

Contrato de R$ 3 milhões não contempla redundância de PABX no hospital

A Prefeitura de Joinville mantém contrato com a empresa Voxcity Tecnologia Ltda, com duração de 60 meses, iniciado em 2024, orçado em mais de R$ 3 milhões, porém com um equipamento que não possui contingência. Em casos de indisponibilidade de hardware da central ou de link de dados, o impacto é sentido nas ramificações onde a telefonia deveria funcionar.

A comunicação em ambientes hospitalares é crítica e não pode ser interrompida, pois garante o atendimento eficiente, a coordenação de equipes e o gerenciamento de emergências, sendo essencial para a segurança dos pacientes. Sem um plano de contingência para a telefonia, a comunicação entre enfermarias, recepção e equipe médica pode ser paralisada, comprometendo o atendimento de urgência e emergência, como ocorre neste caso.

A central telefônica do Hospital Municipal São José funciona por meio da tecnologia VoIP, que transforma sinais de voz analógicos em dados digitais, permitindo a realização de chamadas telefônicas pela internet banda larga, em vez de linhas fixas tradicionais. Em termos simples, a ligação ocorre de forma semelhante a uma chamada realizada pelo WhatsApp.

/apidata/imgcache/8c69ec5b96e20a6aa87f5eb4f3636fd1.png?banner=postmiddle&when=1770807364&who=6

Essa tecnologia mantém, na maioria das vezes, boa qualidade e baixo custo, pois reduz grande parte da infraestrutura física utilizada na telefonia tradicional, como cabeamento e contratos com operadoras, além de permitir instalação e administração com suporte remoto, de qualquer localidade.

Outro fator importante é o compartilhamento da central telefônica entre diversos setores e localidades. A central, ou gateway, é instalada em um determinado ponto, e várias ramificações são distribuídas por meio de links de dados. Ao que tudo indica, o PABX do Hospital São José está instalado nas dependências da prefeitura, uma vez que o telefone principal do órgão também está indisponível.

/apidata/imgcache/6db7471e1554bc6e2d58b1d1a95972bf.jpeg?banner=postmiddle&when=1770807364&who=6

Boa parte das empresas e órgãos públicos aderiu à tecnologia VoIP, que tende a reduzir custos. No entanto, em casos como hospitais, bombeiros, polícias e outros serviços essenciais à população, é necessário operar com equipamentos redundantes, ou seja, com contingência capaz de ser acionada em situações de indisponibilidade.

Há embaixadas, por exemplo, que ainda utilizam fax e linhas analógicas por questões de segurança, por serem mais robustas e menos suscetíveis a falhas externas.

O Hospital São José constantemente vem passando por problemas de precarização de serviços e denúncias recorrentes, que vão desde superlotação, falta de insumos, problemas na alimentação e condições de limpeza. Até o momento, o hospital segue sem a telefonia totalmente restabelecida. A prefeitura informou que aguarda um parecer da empresa responsável sobre o ocorrido para informar quando o serviço será normalizado.


Fagner Ramos

Formado em Jornalismo pelo Ielusc (2025). Vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025).